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16 de Setembro de 2019
Gal Costa estilhaça o tempo ao eternizar passagens da vida e obra no DVD A pele do futuro
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Para começo de conversa sobre o álbum duplo e o DVD A pele do futuro – Ao vivo, cabe ressaltar que Gal Costa canta melhor neste registro audiovisual de show do que no disco de estúdio lançado há um ano. No luminoso álbum A pele do futuro (2018), a aguda lâmina vocal da cantora se mostrou desgastada pela ação do tempo.

No show que estreou em dezembro e foi captado em março para ficar eternizado no DVD lançado pela gravadora Biscoito Fino neste mês de setembro, a voz de Gal abriu e ganhou vitalidade.

Essa força vital está integralmente preservada no DVD e no álbum duplo pela maestria da captação do som e da mixagem orquestradas por Duda Mello, engenheiro de som que há havia brilhado ao desempenhar as mesmas funções no DVD e álbum duplo Estratosférica ao vivo (2017). O trabalho exemplar de Duda Mello valoriza a gravação ao vivo do show A pele do futuro.

Já a captação da imagem, feita sob a direção de Henrique Carvalhaes e Rafael Gomes, se enquadra na moldura convencional dos registros audiovisuais de shows. Celebrado por encenações teatrais como a de Um bonde chamado desejo (2017), Gomes frustra quem esperava arrojo nas imagens perpetuadas no DVD, talvez pelo fato de o diretor ter se deparado com cantora que por vezes parece engessada no palco pela necessidade de ficar de olho no teleprompter para acompanhar as letras das músicas.

De todo modo, há planos luminosos, sobretudo na parte final do show, quando um globo espelha a incursão de Gal pela pista da disco music em músicas como Sublime (Dani Black) e Cuidando de longe (Marília Mendonça, Juliano Tchula, Junior Gomes e Vinicius Poeta, 2015).

Cantada em coro pelo público, a aliciante música de Marília Mendonça – composição que já não era inédita ao ser gravada por Gal no ano passado, como tenta fazer crer o diretor do show, Marcus Preto, no texto que escreveu para o encarte do álbum e do DVD – expõe a veia popular do bloco final de A pele do futuro, cujo roteiro é arrematado no bis carnavalesco com frevos e marchas há muito ausentes dos espetáculos da cantora.

A dez dias de completar 74 anos de idade, em 26 de setembro, Gal Costa permanece sendo uma das cantoras mais modernas e relevantes do Brasil de todos os tempos. Ao longo das 24 músicas que compõem o roteiro do show A pele do futuro, Gal estilhaça a noção de tempo, embaralhando passado e presente com a singularidade da voz que tem ajudado a contar a história da música do Brasil a partir de 1965.

Até porque as músicas antigas foram todas passadas pelo filtro contemporâneo da direção musical de Pupillo Oliveira, baterista da banda turbinada com a guitarra de Pedro Sá e o baixo de Lucas Martins, entre outros músicos.

Mesmo que haja reverências ao passado de Gal, como no arranjo roqueiro de Dê um rolê (Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1971), nada do que foi é do jeito que já foi um dia em A pele do futuro.

Quando canta As curvas da estrada de Santos (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969), soul roqueiro de Roberto Carlos revivido com arranjo em que se insinua um reggae na parte inicial, Gal já não é a cantora janisjopliana de 1969 que gravou Se você pensa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968), outro clássico da fase mais envenenada do cancioneiro de Roberto, então rei da juventude brasileira.

Só que Gal continua sendo Gal. E isso faz toda a diferença. Porque Gal é plural o suficiente para verter Lágrimas negras (Jorge Mautner e Nelson Jacobina, 1974) com a devida sensibilidade e, sete números depois, fazer desaguar o dulcíssimo mel da balada Chuva de prata (Ed Wilson e Ronaldo Bastos, 1984).

A mesma Gal que dá a devida (insuspeita) dimensão a uma canção angustiada do repertório popular de Fábio Jr. – O que é que há (Fábio Jr. e Sérgio Sá, 1982), música lembrada três anos antes por Ana Carolina – espreme o leite de Vaca profana (Caetano Veloso, 1984) para jogar na cara dos que encaretam o Brasil em 2019.


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